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O Conselho e a concentração
Estendo o debate acerca do Conselho Federal de Jornalismo. Estou formando opinião, mas se tivesse de dizer agora de que lado fico, diria que do lado da aprovação do conselho, pois creio, sim, que não há mal algum que o jornalista seja submetido à orientação, fiscalização e punição.
E outra, discordo do pensamento de que a imprensa representa o quarto poder. Trata-se de uma instituição burguesa que tem por objetivo sustentar e propagandear o ideário capitalista, que prima pela distância e separação sociais, pelo uso conveniente da democracia, dos sensos de justiça, violência, pluralidade.
Mas meu aspecto aqui é outro. Refere-se à concentração de poder no campo da mídia. O jornalista Alberto Dines escreveu na edição de 10/08 deste Observatório que “O problema do nosso jornalismo não está nos jornalistas, está na concentração dos veículos de comunicação, na propriedade cruzada ...” (artigo “Contra o denuncismo, o peleguismo”). Para ele, então, a oligopolização dos veículos é problema grave.
Na mesma edição, o professor aposentado da Universidade de Brasília, Venício de Lima, disse que se devem fazer considerações basilares quanto ao conselho, sendo que “A primeira – e fundamental – é que o problema da nossa mídia não é a atuação profissional dos seus jornalistas, mas a estrutura concentrada e cruzada da propriedade e a ausência histórica de uma legislação que possibilite o controle democrático do setor com a participação da sociedade civil organizada” (artigo “Três observações preliminares”).
O jornalista Fábio Carvalho mencionou o controle midiático em texto publicado pelo jornal “Diário de Cuiabá” (de Mato Grosso) na edição de 15-16/08. Ele escreveu que “A imprensa quer e deve fiscalizar os atores sociais, mas não quer para si, muito menos para seus empregados, nenhuma fiscalização de sua atividade- fim. Por quê? A chamada ‘grande imprensa’ está nas mãos de nove famílias, não enchem duas mãos. A imprensa regional (de Mato Grosso), salvo raríssimas exceções, pertence a políticos ou a seus prepostos. Não é essa a liberdade de imprensa que me disponho a defender, porque essa não interessa à sociedade” (artigo “Conselho bom só se dá a quem pede”).
Fábio vive atualmente no Rio Grande do Sul, mas até 2002 militou na imprensa mato-grossense, tendo trabalhado no jornal “A Gazeta”, na assessoria de imprensa da hoje senadora do PT, Serys Slhessarenko, e exercido o cargo de presidente do Sindicato dos Jornalistas do estado.
Eu também creio que o foco da discussão sobre o jornalismo não é o Conselho Federal de Jornalismo, mas sim a concentração de poder presente no campo da mídia como um todo e, por conta disto, uma reflexão a respeito da ditadura da comunicação, do processo de falseamento da democracia da informação abastecido pela tecnologização da sistemática noticiosa, que chama de notícia um dado rápido (mercadoria atualizada a todo tempo) e que convirja para a agenda de assuntos geralmente estipulada pelos próprios meios de comunicação ou pelos três poderes tradicionais.
REFLEXÃO - Por isso é que cabe a reflexão sobre por qual motivo o Alberto Dines não tocou no assunto crucial durante a entrevista que deu ao Jô Soares, no “Programa do Jô”, da TV Globo, na madrugada de terça- feira, dia 17 de agosto, quando falou sobre seu livro e fundamentalmente a respeito do Conselho Federal de Jornalismo.
Alberto Dines esteve por cerca de 20 minutos no maior centro de controle societário midiático do Brasil e um dos maiores do mundo e citou apenas muito superficialmente (mais muito superficialmente mesmo) o grande ponto.
Não seria importante para o verdadeiro embate democrático que a concentração fosse mencionada com mais afinco? Não estou falando numa malhação específica contra a Globo. Estou me referindo ao registro claro e sério de que há menos de uma dezena de famílias que regula o processo de comunicação social (e ou de massa) no nosso país. Estou falando da explicitação, conforme documento do próprio Ministério das Comunicações, de quais são esses grupões e do mal que essa composição societária nos causa a todos.
Estou me concentrando num depoimento via tv de alta audiência - apesar do horário - que pudesse provocar um debate sadio e mais amplo quanto à série de armadilhas que um conselho, e não uma transformação do cenário midiático, pode causar à sociedade brasileira.
Não entendi por qual razão Alberto Dines, que defendeu em seu artigo uma discussão mais ampla, não aproveitou o momento da entrevista para apresentar a face mais perversa do sistema de comunicação do Brasil, algo que se inclui também como grave problema em dezenas de países da América do Sul, América Central, Ásia, África e Europa. No mundo inteiro, enfim, onde a comunicação é comandada por alguns conglomerados, a maioria de origem estadunidense.
Gostaria, então, respeitosamente – e digo isto para que este artigo não pareça ofensivo, pois esta não é a minha intenção –, que o jornalista me respondesse e respondesse a quem sentiu a mesma dúvida sobre por qual motivo não aproveitou a oportunidade para questionar o sistema a partir de dentro.
Gibran Lachowsky
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CONTO
Para Doxo
Dos limites da carne ou Do auto-consumismo predatório
Seriam todos os seres fadados ao eterno sofrimento e fracasso coletivo?
Uma ave que por qualquer lapso da natureza fora impedida de voar. Uma ave impedida de voar. Não só uma, mas toda a sua espécie que possui penas e asas não foi contemplada pelo poder do vôo. Na falta da liberdade absoluta, o céu seria mais um caminho para esse ser.
Um filhote ainda pinto preto, definhando pela falta de experiência que a vida não lhe contemplou, faltando tanto a força que mal caminha sobre suas duas patas.
Como conseguiria caçar seu próprio alimento, e há necessidade primária que antecede isto?
Mas a natureza não poderia ser tão má com uma obra sua, e logo lhe coloca à frente algumas formigas que são dificultosamente ingeridas pelo bico fraco, bico que emite um piar, um som de angústia e desespero, o som de dor que quer cessar, pinto que quer usar toda a sua força para voar, apenas romper com uma realidade da natureza. Mundo real que se suicida.
As formigas lhe servem de alimento durante alguns dias, porém não o suficiente para sua recuperação, pois seu desejo, sua vontade extrapola as necessidades biológicas.
Um entretanto surge no caminho do pinto.
As formigas conviveram demasiado tempo com o Homem, o maior predador destas terras, um carniceiro que suga para o seu sangue toda a energia que não consegue atingir longe do seu estômago. Este homem que um dia cobriu todas as moradas das formigas e engaiolou-as num grande campo de concentração concreto e as ensinou suas piores maldades sem mesmo ter consciência da vida que ali existia.
As formigas aprenderam demais com os humanos.
O pinto já entediado pela sua realidade patética que lhe possibilitava caminhar um palmo por dia atrás da formiga mais próxima apenas para prolongar sua dor, e o que de antemão já lhe exigia um esforço energético que tomava toda a sua força, se deparou com uma gigante, infinita fila de formigas trilhando em sua direção. Sua ingenuidade lhe enganou fazendo pensar que seria um banquete tão farto que com certeza, depois de comer tanto ele teria forças para sair daquela condição.
Pois o que o pinto não sabia é que estas formigas há muito tempo não se alimentavam das plantas e na sua realidade concreta absorveram do homem toda sua malevolência.
O pinto estava na trilha da morte, todas as suas mazelas não o deixavam fugir, ao menos se mexer pouco mais que a cabeça e o bico e a sua inocência enganava seus olhos. Onde via um grande banquete não podia supor que seria o prato principal. Enquanto apenas podia ver que era de tamanho inúmeras vezes maior que as formigas, para elas nada disso importava, pois tinham as aptidões do Homem necessárias para fazer tudo tombar aos seus pés. Os Homens são seus mestres.
Não há seres mais miseráveis no mundo que essas formigas carnívoras, predadoras anti-naturais. Apenas os seus mestres humanos são mais cruéis e sanguinários, já que são os maiores predadores destas terras. E as formigas sabem muito bem que não é pelo seu tamanho.
Num instante, sem piedade ou misericórdia, as formigas cobriram o pinto com seu manto negro, na mais bela homenagem aos seus mestres, saciaram toda sua necessidade de sangue numa covardia ilusionista.
E do ápice de toda esta prosopopéia restaram apenas os ossos da miséria, mais um ensinamento humano à natureza. E as formigas voltaram para seus cárceres concretos, com sua fome parcialmente saciada, pois quanto mais estas predadoras anti-naturais devoram o alimento, maior fica seus estômagos e mais cresce a sua insanidade e violência atrás de suas satisfações anti-naturais. E aos seus olhos o pinto vira Homem.
Até a próxima refeição!
Quem vos escreve esta abstração concreta de nossa realidade fictícia e arbitrária é Ahmad Jarrah
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Diligência da opressão
Sábado azedo, amalgamado pelo turbilhão de idéias e pessoas na feira, caminho com resistência;
Domingo agridoce, festejos insensatos, argumentos retóricos e o diabo argumenta em minha caixa preta;
Segunda ácida, o pobre moleque tem mais o que fazer, a velha senhora já não precisa mais morrer;
Terça chumbada, o boêmio enche a cara no boteco da esquina, o estelionatário consegue mais um hábeas-corpus, já é minha última latinha;
Quarta suave, meia dúzia de moleques morrem em mais uma chacina, e um famoso jogador de futebol casa-se com a modelo e dançarina;
Quinta eufórica, leio mais uma crônica no diário, o teatro fala da natureza e mais uma bomba explode em algum país do oriente;
Sexta amarga, os pássaros cantam na floresta, a indústria lança mais um produto high-tech e os professores executam a ‘modesta’ sentença da sociedade;
Sábado pungente, deleito o embuste excessivo da madame, machuco as pálpebras de meu opressor, me arrependo de tantos compêndios, lanço mão da cautela, ensaio a mesura, enterneço sem lisura, convalesço da doçura.
Tiago Muzulon
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Seria essa uma bola dentro pra política Bush?
A ação armada na russa só veio a acrescentar minha inclinação contrária às políticas extremistas de luta armada. Após a fracassada ação na escola em Beslan, na Ossétia do Norte, o presidente da Rússia, Vladimir Putin engrossou o discurso defendendo a guerra, a união da nação contra o terrorismo e a repressão das forças contrárias à coesão Rússia/Chechênia.
Sendo a Rússia uma das potências contrárias à invasão do Iraque, assim como a Alemanha – agora apoiadora das declarações pró-guerra do líder russo - e a França, tal discurso cai como luvas à campanha eleitoral republicana nos EUA.
Nem é preciso lembrar que o atentado de 11 de setembro foi o estopim às invasões iniciadas por Bush a países denominados por eles (entenda-se aqui partidários da política Bush) como sedes do terrorismo no mundo. O primeiro deles foi o Afeganistão, (quem não se lembra da “guerra cirúrgica”?), em seguida o Iraque, cuja guerrilha se estende até hoje.
Meio ao suplício bélico, vozes antiguerra e/ou anti-bush começaram a se evidenciar na mídia internacional. Destaque para o roteirista/cineasta Michael Moore, que com o seu Fahrenheit 9/11 denuncista, não apenas coloca em cheque as forças motrizes das invasões citadas – apontando os interesses em relação ao petróleo iraquiano (2° maior produtor da espécie no mundo), o gasoduto que cruza o Afeganistão, entre outros - sobretudo, a ilegitimidade da gestão Bush, uma vez que, segundo Moore, o páreo foi conduzido pelos velhacos ilegalmente.
Temo, no entanto, que após a morte de 356 pessoas, sendo destas 156 crianças – ( e a gente como criança é um “bicho” que mexe com o sentimento de todo mundo) vozes pró-guerra tendam a ganhar forças junto a opinião pública internacional, e em especial, a americana – deixando-se seduzir pelo discurso de “defesa da pátria”. Caso essa tendência se confirme, a reeleição de Bush estaria garantida e o Estado de Medo pronto à ser seqüenciado. Restaria-nos, pois apenas a dúvida: qual a próxima nação a ser invadida?
Isso, contudo, são apenas possibilidades. De fato concreto temos que após o atentado na Rússia, o presidente americano ganhou fôlego na defesa de sua política bushista, se denominando o mais adequado no contragolpe anti-terrorista, além, claro, do mais inquietante, o salto 11 pontos à frente do candidato democrata, John Kerry, na corrida presidencial dos EUA. Pelo menos é o que indicam as últimas pesquisas eleitorais.
No fim das contas, o atentado na Rússia caiu tão bem para Júnior que chego a cogitar se ali não teria um dedo de Washington. Essa, porém, não passa de mera especulação da minha parte.
Marielle Ramires
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Cientificismo político anarquista pós moderno, ou sobre microfísica do poder.
A democracia morreu. Na verdade, acredito que ela nunca chegou a existir de fato, foi apenas um engodo para que aceitássemos e assinássemos acordos que nem sabíamos quais eram.
O dinheiro colocou a democracia na rua, e não em sentido positivo. Eles compraram seus pais e colocaram a democracia para pedir esmolas no semáforo. Quem dá olhos ou ouvidos a ela? Mas eles estão apenas esperando ela completar dezoito anos, e daí colocarão em alguma prisão de segurança máxima. Se ela conseguir fugir, então aprovamos a pena de morte, e a executamos sem que a população tome consciência dos fatos.
Hoje em Cuiabá vemos várias placas de candidatos a grande e confortável poltrona da Prefeitura. Daqui há pouco mais de um mês, iremos às ruas, em pleno feriado (cristão) de descanso semanal, votar no futuro de nossa cidade, exercer nossa cidadania e ratificar a nossa democracia.
O que faz os trabalhadores (e não-trabalhadores, q infelizmente eh um número em crescimento) saírem de suas casas num Domingo e irem enfrentar filas para votarem? Por quê esses trabalhadores não vão às ruas para exigir melhores condições de vida, (algo além da subvida q temos)? Por quê não vão às ruas perguntar o porquê do valor de nossa Gasolina ser um dos mais abusivos do país? Ou por quê a fábrica do meu carro fazia modelos que andavam mais de 10 Km por litro, e isso hj nem existe mais? Ou o porquê de termos um governador mega-empresário da soja? Ou por quê a Soja que eu compro no supermercado é mais cara do que em Sampa? Ou, finalmente (entre outros, claro), por quê a população cuiabana não vai às ruas quando acontece algum escândalo, que todos inconscientemente sabiam, como o caso Riva, ou Arcanjo? Falando nele, por que a casa soh caiu qdo foi para Imprensa Nacional (mais precisamente Fantástico?)?
Estamos fudidos e mal pagos!!
O ponto crucial para que um candidato à Prefeito chegue à Prefeitura não é necessariamente a maior quantidade de votos que ele ganhar. Claro que é isso que manifesta a vitória. Temos como um exemplo “distante” os EUA q colocou um “presidente” (parodiando Mike Moore) que não foi o mais votado pelo povo (mas para ele se eleger, foi necessária uma fraude que colocava alguns números na frente de outros). Todo o Mundo sabe disso. Então por que é que o maldito continua no poder?
Já que fui aos EUA, faço uma Ponte Aérea até Brasília, e depois tomo um busão pra Cuiabá.
Lula era o nosso candidato da Esquerda. Ele sempre representou a oposição ao sistema social-econômico-e-político que dominou, dominava e domina o Brasil e quase a totalidade do mundo. Então “nós” o elegemos e descobrimos que agora ele compactua com muitas das coisas que ele criticava e abominava na sociedade.
Bem, o fato é que não fomo nós, o povo, que o elegeu. Fomos apenas usados pelo sistema “democrático” que criamos. Lula não chegou à presidência por que nós vencemos o medo com a esperança (a esperança apenas mora no coração de alguma Maioria da população que se fudeu e se fode ateh hj). Para ele ocupar aquele posto ele teve que fazer diversos acordo com muitos setores da sociedade, setores RICOS. Ele teve que fazer acordo com muitos mega empresários nacionais e internacionais para tomar aquele posto. Ele se amarra numa grande trama da falsa democracia. Quem decide quem vai estar no poder ou não são essas alianças que ele faz, com os setores ricos e poderosos que encabeçam subliminarmente o poder durante toda a História. Quem vc acha que paga a campanha milionária dele? Os petistas que ainda caminham em devaneios com uma camisa com a foice e o martelo? Mal eles têm dinheiro para encher o tanque de seu carro, qdo possuem carro.
Mas a esperança venceu o medo! Piada.
Quem de nós não sabia o que estaria por vir tendo um candidato de oposição apoiado por um partido q sempre esteve no poder, e que nunca escondeu que defende grandes interesses econômicos e além de tudo cristãos (o que há muito, muito tempo deixou de ser uma religião de paz e amor entre os irmãos)? Só nós o povo esperançoso não sabia desse continuísmo. Será que Nietzsche já não nos prevera do eterno retorno? Quantos % da população jah leu Nietzsche ou sabem quem eh? Na verdade, qtos % da população lêem coisas além das revistas de fofoca de novelas? Qtas pessoas no Brasil lêem mais do que assistem à TV?
E eu ateh hj escuto dizer que o Povo jah derrubou presidente, qdo os “caras-pintadas” foram às ruas. Soh se forem caras pintadas de palhaços para acreditar nessa outra piada (me lembro da música do B-Negão, sobre a verdadeira dança do patinho). Me desculpem, mas se vc acredita que o povo foi o grande responsável pelo impeachment de um presidente, lhes pergunto, qtos de nós sabe escrever impeachment? E me digam uma coisa os que sabem, essa eh uma palavra de que origem linguística? Se não somos nós que colocamos o presidente, será que fomos nós que tiramos?
Bem, o busão jah está saindo de Brasília e está chegando em Cuiabá.
Logo que chego na cidade me deparo com out-doors e placas e papéis que me chamam a atenção para um candidato entre tantos outros q estão concorrendo (isso existe em todas as outras cidades tbm... imagine o tanto de grana q não somam, e imaginem o tanto de lixo q não vão entulhar em todo o país. Se a soma de dinheiro que são gastas em campanha por todos os candidatos à eleição em todas as eleições fossem revertidas para a população, isto é, em projetos que visam saciar as necessidades básicas do povo fudido (os cinco dedos clichês, Saúde, Educação, Transporte e Moradia, nem precisaríamos gastar com Segurança), os candidatos fariam muito mais do q o q fazem qdo eleitos).
De novo vos pergunto... quem paga a campanha de todos esses candidatos? Claro q eu e vc é indiretamente, mas o montante de dinheiro sai das mãos de empresários entre outros setores Ricos da sociedade que têm interesses. Putz! É uma grande bolsa de apostas, onde quem tiver mais dinheiro pode apostar em todos para garantir que não perca. E que interesses os candidatos eleitos irão defender? Eh soh lembrar dos outros citados acima.
Vamos para um exemplo prático então, com algumas perguntas:
O governador do estado, Blairo Maggi, defende os interesses de quem?
O reitor da UFMT (e não soh dela, como de todas as outras) defende os interesses de quem?
O Prefeito Roberto França defende os interesses de quem?
Bem, meu e seu eh que não são.
Tudo bem, vc pode me dizer q estou sendo maldoso, analisando apenas um lado da história, e que estou sendo apocalíptico por demais.
Os candidatos eleitos em todas as instâncias do poder podem fazer coisas sociais boas e positivas. Ufa, ainda bem. Soh que elas terão um reflexo em nós, povo, muito, mas muito menor do reflexo que têm em quem tem algum tipo de poder em mãos. É quase Físico, pois a Onda de ações boas e positivas sai do emissor, e vai passando respectivamente dos que tem o poder ateh chegar em nós. Soh q qdo chega, ela jah quase nem tem mais força. E isso se não for desviada no meio do caminho, por interferência da Natureza (Humana).
E o pior.. a única ferramenta Legal q o sistema nos oferece para mudar alguma coisa é o nosso voto. Mas então o que fazemos, vc me pergunta. Bem, ou vamos contra tudo isso, unindo forças, conhecimentos e articulações formando-se uma grande teia opositora, correndo sérios riscos de tornarmos aqueles mesmos opressores (Deus queira que não seja da natureza humana isso), ou vivemos numa sociedade em autogestão, onde nós humanos teríamos de nos transformar muito para atingir esse objetivo, ou nós votamos em quem vai garantir algum benefício individual para nós ou nossa classe trabalhadora (eh o q normalmente acaba acontecendo, porém continuamos empurrando o problema, pois ao mesmo tempo que minha classe ganha 2, outra ganha 10, outrO 20 e assim sucessivamente), ou Nietzsche está certo sobre o eterno retorno (putz.. se for isso será o suicídio humano coletivo a solução?)
Vc também pode colaborar com algumas sugestões nos comentários abaixo, nem q seja para discordar de tudo o q eu disse.. espero q alguns de vcs tragam boas notícias, que eu continuarei ruminando o assunto.
Ahmad Jarrah
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Existe ética para o poder?
por Petrônio Souza Gonçalves
Durante a Ditadura Militar, anos em que as balas de chumbo abriram chagas na democracia brasileira, silenciosamente nas redações dos grandes jornais, jornalistas politizados empunhavam sua caneta e duelavam anonimamente contra o sistema ignaro e opressor. Muitos deles, trabalhando no campo subjetivista do jornalismo e das idéias, burlaram a censura burra e noticiaram aqui e ali o novo líder sindical que enfrentava de peito aberto o arroto roto dos golpistas entronados pelos canos quentes das metralhadoras. Ainda assim, munidos de civismo e de uma ética profissional, jornalistas de norte a sul do Brasil, acreditando na liberdade da informação, arriscaram sua própria vida e, timidamente, eficientemente, levaram a todos os novos raios do sol da esperança que nascia diariamente no centro industrial paulista e iluminavam todo solo pátria.
Os anos foram passando e o movimento sindical ganhando adeptos Brasil afora. Com o passar dos anos, o ex-operário tornou-se presidente da República e, sabendo como poucos do poder mobilizador da imprensa, já ensaia, timidamente, um golpe para calar aqueles que, de uma certa forma, o levaram a ser o grande portador e orador da esperança nacional. Depois do presidente Lula falar aos quatro ventos sobre denuncismo da imprensa, a Fenaj – Federação Nacional de Jornalistas – acolheu denúncia do presidente e começou a defender o projeto que tenta calar a voz insurreta e democrática daqueles que só existem para informar.
Lula está investindo no caminho mais difícil para acabar com as denuncias diárias contra o seu governo. Deveria ele criar um Conselho de Ética para o Exercício do Governo Federal, pois a ordem natural das coisas diz que a imprensa é que deve fiscalizar o governo, e não o governo a imprensa. Isto é, no mínimo, uma troca absurda de valores morais e éticos, coisa de ditadura caduca e anacrônica.Se a preocupação da Fenaj e do governo fosse realmente com o jornalismo e sua ética, deveriam eles promover um amplo debate democrático acerca do assunto. Mas não, preferiram impor uma ordem de cima para baixo e a grita justa e honesta dos profissionais da imprensa e de toda sociedade já se ouve em todos os cantos do Brasil. Isto, na verdade, na maneira que está sendo conduzindo e proposto, direciona o nosso pensamento para a dúvida inequívoca: o que eles realmente querem com isso?! Será que os fantasmas das caras pintadas de Collor já começam a assombrar o presidente? Talvez Lula ainda não saiba, mas a imprensa nacional tem o seu Código de Ética e sua Lei de Imprensa e alguns, muitos, jornalistas já foram julgados e até condenados por eles. Se há alguma deficiência neste código, seria pelo menos mais honesto que fosse proposto uma discussão mínima sobre sua eficiência e abrangência. Agora, criar uma terceira via para fiscalizar o quarto poder que é fruto direto da liberdade, nos parece estranho, no mínimo, suspeito.
O Governo Federal, por meio de suas campanhas nacionais, é um dos maiores financiadores da grande mídia. Nas páginas dos jornais, a propagando e a realidade convivem diariamente lado a lado. Com a possibilidade da criação de um órgão interventor para aquele que redige diariamente a realidade pátria, poderíamos acreditar que a grande mídia - ‘por força da grana que ergue e destrói coisas belas’ - seria apenas uma assessoria de imprensa bem remunerada do poder vigente, do governo instituído, e nós todos compraríamos barato o que nos sai muito caro... um descalabro. Assim, não existiria mais o interesse da imprensa, apenas o da empresa e os proprietários dos jornais se veriam livres de terem que impor uma fiscalização nas suas redações. Um privilégio duas vezes conquistado. Uma atitude dessa não poderia nunca ser tomada por um governo que chegou ao poder pelos braços do povo. Definitivamente, não era para Lula e nem para o que ele representava...
Da casa-mor do jornalismo brasileiro, sua Associação Brasileira de Imprensa, o seu destemido presidente Maurício Azêdo colocou as cartas na mesa e declarou: “Conselhos federais são feitos para fiscalizar profissionais liberais. Não é o caso dos jornalistas, que, a meu ver, continuam sendo assalariados”. Fato maior disto tudo é que o direito do cidadão de saber diariamente pelas páginas dos jornais de como a sua vida realmente é, pode ser alvejado pelo medo de alguns de se pronunciar, protestar contra a indigência moral proposta. Enquanto isso, enquanto ainda temos a liberdade de nos pronunciarmos e de darmos nossa colaboração democrática ao debate em questão, vamos nós com a liberdade cívica encarnada e a ética profissional empunhada protestando, sem nunca esquecer que a fiscalização é o dedo em riste da opressão.
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor
Fonte: www.carosamigos.com.br
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